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Mike Huckabee, o embaixador dos EUA em Israel, disse que seria aceitável que Israel assumisse o controle de uma vasta faixa do Oriente Médio. Ele citou uma interpretação bíblica que se estenderia do Nilo ao Eufrates. As falas provocaram reação rápida de Egito, Jordânia, da Organização da Cooperação Islâmica e da Liga dos Estados Árabes. Em notas separadas, esses organismos classificaram as declarações como extremistas e provocativas, incompatíveis com a posição oficial dos EUA. O Ministério das Relações Exteriores Palestino também criticou Huckabee. A reportagem acompanha a resposta diplomática e o debate sobre soberania, território e segurança na região, destacando que a fala não reflete a política americana tradicional.
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EUA: Embaixador em Israel sugere controle de área extensa no Oriente Médio, provocando reação regional
Um embaixador dos EUA em Israel disse, em entrevista, que seria aceitável que o Estado judeu consolidasse controle sobre uma área extensa do Oriente Médio. A região citada abrangeria territórios que, segundo uma leitura bíblica mencionada na fala, poderiam operar como promessas antigas. A declaração, feita durante conversa com o apresentador Tucker Carlson, gerou reação imediata de países árabes e de blocos regionais neste fim de semana.
Contexto da declaração e reação inicial
Durante a entrevista, os apresentadores discutiram se Israel tem direito a uma terra que, para alguns, estaria conectada a textos religiosos. O embaixador inicialmente disse que a hipótese seria muito ampla, mas, diante da insistência, sinalizou que aceitabilidade existiria caso Israel tomasse o território. Em seguida, afirmou que a conversa não trataria de expandir fronteiras além do que o país já controla. O comentarista pressionou para saber sobre a possibilidade de Israel assumir a Jordânia; a resposta do embaixador encerrou com a ideia de que o foco seria manter as terras que Israel já ocupa por razões de segurança e legitimidade, sem que haja um apelo à reconquista de outras áreas.
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Reações oficiais regionais
As declarações foram recebidas com críticas em várias capitais. O Cairo qualificou as falas como uma violação do direito internacional, lembrando que Israel não tem soberania sobre territórios palestinos ou outras terras árabes ocupadas. A Liga Árabe afirmou que esse tipo de comentário é extremista, sem base e apenas serve para inflamar emoções religiosas e nacionais. O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina também criticou o embaixador, dizendo que as palavras desmontam fatos históricos e o direito internacional, além de irem contra a posição do governo dos EUA, que rejeita a anexação de áreas palestinas.
Contexto político anterior do diplomata
Em novembro de 2024, pouco depois de ser indicado ao cargo, o diplomata já havia manifestado apoio à anexação da Cisjordânia, afirmando que executaria a política do presidente dos EUA. Naquele momento, ele ressaltou a disposição de o governo americano reconhecer a soberania de Israel. Já mais tarde, o então presidente americano afirmou publicamente que não permitiria a anexação da Cisjordânia, sinalizando divergência com visões de setores radicalizados.
Contexto histórico de fronteiras e território
Desde sua criação, Israel não tem fronteiras plenamente reconhecidas. Os limites já foram alterados por guerras, acordos de cessar-fogo e compromissos diplomáticos. Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, o país capturou a Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Gaza e as Colinas de Golã; o Sinai foi devolvido ao Egito em acordo de paz subsequente, e Gaza foi deixada sob controle unilateral em 2005. Nos meses recentes, há avanços na construção de assentamentos na Cisjordânia ocupada, com legalização de pontos avançados e mudanças administrativas. Os palestinos defendem um Estado independente com Jerusalém Oriental como capital, posição apoiada por grande parte da comunidade internacional. O atual cessar-fogo em Gaza envolve retirada de tropas para uma zona de contenção, mas o território continua sob controle de Israel em maior parte, sem cronograma claro para novas retiradas.
Conclusão: Repercussões regionais e implicações da declaração
Este episódio evidencia como uma afirmação pode sinalizar uma possível mudança na política externa dos EUA, ainda que não represente a posição oficial. As reacções regionais — Egito, Jordânia, Liga Árabe, OIC e a Autoridade Palestina — destacam a importância do respeito ao direito internacional e à soberania de território ocupado. A demanda por uma solução de dois Estados, com Jerusalém Oriental como capital, permanece como consenso internacional, mantendo o foco em fronteiras reconhecidas e em acordos duradouros. Embora o diplomata tenha limitado o alcance às áreas já sob controle, a mensagem alimenta discussões sobre limites, legitimidade e o risco de inflamar narrativas religiosas e nacionais. Em resumo, o episódio serve como alerta de que declarações ambíguas podem complicar negociações de paz e dificultar o caminho para uma convivência estável no Oriente Médio, onde o equilíbrio entre crenças, alianças regionais e legitimidade internacional continua a moldar o futuro.
Perguntas frequentes
- O que Huckabee disse sobre aceitável Israel tomar grande parte do Oriente Médio?Ele disse que seria aceitável se Israel ocupasse tudo, de Nilo ao Eufrates, mas deixou claro que não é o tema atual. Acabou dizendo que o objetivo é proteger seu povo mantendo a terra que já controla.
- Como foi a reação de Egito, Jordânia e organizações regionais?Reações fortes. Egito, Jordânia e organizações como a Liga Árabe e a OIC criticaram as falas. Chamaram-nas de extremistas e sem base legal. Pediram respeito ao direito internacional.
- O que isso revela sobre a política externa dos EUA?O comentário é visto como um afastamento da posição oficial dos EUA. Trump já disse que não permitiria anexação da Cisjordânia. Huckabee apoiou ideias de soberania, gerando tensão com a linha oficial.
- Qual é a visão da comunidade internacional sobre o tema Palestina?A maioria quer a criação de um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza, com Jerusalém Oriental como capital. A comunidade internacional apoia essa ideia, mesmo com dificuldades no território.
- Que impacto isso pode ter no futuro do conflito?Pode aumentar tensões e inflamar emoções religiosas e nacionais. Pode atrapalhar negociações de paz e dificultar um acordo de dois estados.