Congresso do Peru se prepara para nomear novo presidente interino antes das eleições gerais de abril – Finctime

Congresso do Peru se prepara para nomear novo presidente interino antes das eleições gerais de abril

Anúncios

Ouça este artigo


  • Congresso peruano escolhe presidente interino após impeachment de Jerí
  • Analistas veem o impeachment como sinal do peso do Legislativo
  • A história recente mostra que vários presidentes não completaram o mandato
  • Vários candidatos disputam o cargo interino para vigiar a transição e as eleições
  • A volta ao sistema bicameral pode trazer mais estabilidade política e econômica

Congresso peruano se prepara para eleger presidente interino após impeachment de Jerí

O Congresso do Peru deve escolher, nesta quarta-feira, um novo presidente interino após aprovar o impeachment de Jerí. Jerí foi destituído depois de apenas 130 dias no cargo, tornando-se o sétimo presidente a não completar um mandato desde 2016 e o segundo com o menor tempo de ocupação neste século. A decisão no plenário ocorreu com 75 votos a 24 a favor da remoção.

Anúncios

Contexto político e histórico

O país atravessa há anos um cenário político marcado por forte atuação do Legislativo. Analistas apontam que o impeachment se consolidou como ferramenta de posição política, ganhando força especialmente desde 2016, quando o presidente herdou uma Câmara oposicionista vinculada a grupos de direita. Esse ciclo de conflitos levou o Congresso a ultrapassar limites em relação à agenda do Executivo, repetindo-se em várias trocas de comando desde então.

Sucessores de Jerí seguiram uma linha instável. O antecessor de Jerí foi Martín Vizcarra, que também enfrentou um processo de afastamento em 2020. Vizcarra mais tarde foi condenado pela Justiça por crimes relacionados à corrupção relacionados a seu mandato anterior. Em seguida, houve a ascensão de Manuel Merino, que renunciou após protestos violentos apenas cinco dias após tomar posse. Francisco Sagasti foi o único a concluir um mandato de transição de oito meses. Posteriormente, Pedro Castillo e Dina Boluarte enfrentaram acusações de incapacidade moral e outras denúncias, com Castillo condenado em parte por tentativa de golpe, enquanto Boluarte enfrentou pressões ligadas à segurança pública. Esse histórico reforça a percepção de que acusações de corrupção ou questionamentos sobre idoneidade moral costumam desencadear a queda de governos.

Anúncios

Para a análise, especialistas destacam que não se trata de um caso isolado, mas de uma tendência estrutural: poderes significativos do Legislativo, falta de profissionalização entre os políticos e um engajamento social relativamente baixo na responsabilização política.

Candidatos e o processo de eleição

Quatro candidatos apresentaram-se para a vaga de presidente interino: Maria Del Carmen Alva (Ação Popular), José Balcázar (Perú Libre), Héctor Acuña (Honra e Democracia) e Edgar Reymundo (Bloco Democrático Popular). O pleito servirá principalmente para acompanhar a disputa eleitoral e facilitar a transição de poder de forma pacífica. Ontem, especialistas destacaram a dificuldade de prever quem conseguirá chegar a julho de 2026, dada a volatilidade associada ao cargo. Além disso, observadores sinalizaram que as legendas que integavam apoio a Jerí poderão sair enfraquecidas.

Análises e perspectivas

Analistas destacam que a próxima Câmara deve adotar regras que tornem o impeachment mais difícil de ser adotado rapidamente, especialmente com o retorno à estrutura bicameral no próximo mandato. Um economista da Citi, ao analisar o cenário, aponta que a criação de um Congresso com duas casas tende a reduzir movimentos apressados e a ampliar o tempo de deliberação.

O país, apesar da instabilidade política, tem registrado crescimento econômico nos últimos anos, com a solidez do Banco Central transmitindo segurança a investidores internacionais. Autoridades sinalizam que as mudanças institucionais previstas para julho podem contribuir para um ambiente mais estável.

Conclusão

Em síntese, o Peru atravessa um momento em que a estabilidade depende do alinhamento entre o Legislativo e o Executivo. O Congresso continua a ser a força decisiva, e a escolha do presidente interino pelo plenário não apenas sinaliza uma transição, mas também testa a capacidade do sistema político de se reorganizar. A perspectiva de retorno ao formato bicameral é vista por analistas como uma oportunidade de reduzir decisões apressadas e fortalecer a governança, desde que haja regras que tornem o processo de impeachment menos arriscado e mais deliberado. Enquanto quatro candidatos disputam o cargo, o foco permanece na condução de uma transição de poder pacífica e na credibilidade institucional que sustente as próximas eleições.

Perguntas frequentes

  • Quem são os candidatos ao novo presidente interino? Quatro nomes disputam: Maria Del Carmen Alva, José Balcázar, Héctor Acuña e Edgar Reymundo.
  • Quando ocorre a eleição interina? A sessão é nesta quarta-feira, às 16h (18h em Brasília).
  • Qual é a missão do novo presidente interino? A tarefa principal é acompanhar a disputa nas urnas e a transição de poder pacífico.
  • Existem dúvidas sobre quem pode chegar a julho de 2026? Sim. Não há garantia de que o escolhido permaneça até lá; a cena é volátil.
  • Como o novo Congresso bicameral pode influenciar o processo? Pode tornar o impeachment mais difícil. Exige acordo entre as duas casas.