Anúncios
Ouça este artigo
Ele apresenta o cenário em que empresas e bancos brasileiros, em parceria com o Tesouro Nacional, aceleram captações em dólar no exterior para financiar investimentos, reestruturar dívidas e buscar liquidez diante da alta taxa de juros local. O movimento aproveita a atratividade de mercados emergentes e pode se concentrar no primeiro semestre, à medida que investidores observam a volatilidade eleitoral e o impulso de presença global das organizações brasileiras.
Anúncios
- Empresas e bancos brasileiros recorrem a captações em dólares no exterior para financiar investimentos e reestruturar dívidas, aproveitando juros altos no Brasil
- Investidores internacionais veem o Brasil como mercado emergente atrativo, abrindo espaço para captações externas
- A janela de captações tende a se concentrar no primeiro semestre, devido à volatilidade cambial e à incerteza eleitoral
- O Tesouro Nacional emite títulos no exterior para estabelecer parâmetros e manter liquidez para emissões privadas
- Grandes emissores nacionais já buscaram recursos no exterior, como Sabesp, Azul e BTG Pactual, demonstrando uma estratégia de gestão de passivos e expansão
Captações em dólar por empresas brasileiras sobem no início de 2026
Volume inicial atingiu US$ 9,2 bilhões em 45 dias
Nos primeiros 45 dias deste ano, empresas, bancos e o Tesouro Nacional aceleraram as captações em dólar no exterior por meio de títulos de dívida. O total chegou a US$ 9,2 bilhões, proporcionando quase R$ 47,8 bilhões em captação externa. O movimento representa um aumento de aproximadamente 95% em relação aos mesmos dias de 2025.
Anúncios
Motivos que atraem captação externa
A busca por financiamento em dólares surge em função de fatores como a atratividade de mercados emergentes, entre eles o Brasil, e a dificuldade de obter crédito em reais diante da taxa básica de juros de 15% ao ano. Com esse dinheiro externo, as empresas podem investir, antecipar pagamentos de títulos já emitidos no exterior ou reestruturar dívidas nacionais.
Emissores e operações recentes
Entre os emissores que buscaram recursos no exterior estão companhias aéreas, saneamento e educação financeira. Azul captou cerca de US$ 1,38 bilhão para apoiar seu processo de reestruturação nos EUA. FS Bio levantou US$ 500 milhões para projetos de biocombustíveis. Sabesp planeja investir pouco mais de US$ 1 bilhão em obras para cumprir metas de universalização do saneamento em São Paulo, incluindo novos sistemas de coleta e tratamento. Bancos nacionais também participaram, como Bradesco e BTG Pactual, em operações de captação externa.
Perspectivas para 2026 e janela de captação
Analistas indicam que, diferentemente de anos anteriores, as captações em 2026 devem ficar abaixo do total de US$ 37 bilhões registrados em 2025, com foco maior no primeiro semestre. A janela de captação é influenciada pela volatilidade cambial e pelas eleições. A volatilidade eleitoral costuma reduzir o interesse de investidores estrangeiros nos papéis brasileiros à medida que o processo eleitoral avança.
Governo, Tesouro e o mercado externo
Na última semana, o Tesouro Nacional levantou quase US$ 4,5 bilhões por meio de bonds com vencimentos em 2036 e com a abertura de um longo título até 2056. O movimento soberano atua como referência para emissão de títulos corporativos no exterior. Autoridades destacam que há espaço para captações externas em 2026, com expectativas de que o Tesouro concentre parte de suas emissões no primeiro semestre, chegando a até US$ 10 bilhões. O objetivo é manter liquidez e servir de referência para o preço relativo de títulos soberanos.
Conclusão
Esta análise evidencia que, no início de 2026, as empresas e os bancos brasileiros, com o apoio do Tesouro Nacional, aceleraram as captações em dólar no exterior para financiar investimentos, reestruturar dívidas e manter liquidez diante da alta da taxa básica de juros. O movimento se apoia na atratividade de mercados emergentes e tende a se concentrar no primeiro semestre, enquanto a volatilidade cambial e as eleições criam incerteza entre investidores. O papel do Tesouro — emitindo bonds no exterior para estabelecer parâmetros e sustentar liquidez — atua como referência para as emissões privadas. Grandes emissores nacionais, como Sabesp, Azul e BTG Pactual, já demonstraram essa estratégia de gestão de passivos e expansão. Para 2026, analistas projetam captações totais entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões, com o 1º semestre concentrando boa parte do volume e o Tesouro mirando até US$ 10 bilhões em bonds soberanos; muitas empresas devem estrear nesse mercado.
Perguntas frequentes
O que está impulsionando as captações em dólares no exterior com as eleições se aproximando?
Juros altos no Brasil, atratividade de mercados emergentes e a volatilidade cambial movem as captações.
Quais empresas já captaram recursos no exterior recentemente?
Azul captou US$ 1,38 bilhão; Sabesp pouco mais de US$ 1 bilhão; BTG Pactual informou captação recente; Bradesco também fez emissões; FS Bio também busca recursos.
Qual é o papel do Tesouro Nacional nessas captações?
O Tesouro emite bonds no exterior para estabelecer parâmetros e criar liquidez para o mercado; ajuda a abrir espaço para captações corporativas.
Como as eleições afetam a janela de captação?
A volatilidade no câmbio e na bolsa pode encerrar a janela mais cedo; costuma haver concentração de emissões no 1º semestre.
Quais são as projeções para 2026?
Espera-se entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões em captações externas; o 1º semestre deve concentrar boa parte; o Tesouro mira até US$ 10 bilhões de bonds soberanos; muitas empresas devem estrear nesse mercado.