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A cibersegurança entrou de vez na rotina de quem usa banco no celular, compra em marketplaces, trabalha remoto e vive conectado. E, quando a tecnologia avança, os golpes digitais avançam junto — mais rápidos, mais convincentes e, muitas vezes, automatizados.
“Este ano”, o que mais chama atenção não é apenas a quantidade de tentativas, mas a sofisticação: mensagens personalizadas, uso de engenharia social, falsos atendentes, páginas idênticas às originais, QR Codes maliciosos e até golpes com inteligência artificial para imitar voz e rosto.

Neste artigo, você vai entender quais golpes online mais cresceram, por que eles funcionam, como identificar sinais de fraude e o que fazer para se proteger. O objetivo é ser prático: se você terminar esta leitura e ajustar alguns hábitos, já reduz drasticamente as chances de cair em uma fraude.
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Por que os golpes digitais cresceram tanto
A explosão de golpes digitais não acontece por acaso. Há três fatores principais que explicam o crescimento:
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- Digitalização acelerada: mais gente pagando com Pix, comprando online e resolvendo tudo por aplicativos.
- Vazamentos de dados e excesso de informação pública: criminosos cruzam dados e criam abordagens “perfeitas” para parecerem reais.
- Automação e IA: golpes em escala, com mensagens personalizadas, ligações robóticas e clonagem de linguagem.
O resultado é um cenário em que o criminoso não depende de “força bruta”: ele depende de você agir no impulso. E é aí que entra a engenharia social.
O que é engenharia social e por que ela funciona
Engenharia social é a técnica de manipular emoções e urgência para fazer você tomar decisões ruins: clicar num link, passar um código, enviar Pix, informar senha, baixar um arquivo ou “confirmar” dados.
Os gatilhos mais comuns são:
- medo (“sua conta será bloqueada”)
- urgência (“última chance”, “agora”)
- autoridade (“sou do banco”, “sou da Receita”)
- recompensa (“você ganhou”, “cashback”)
- vergonha (“seu nome está negativado”)
Quando você entende isso, fica mais fácil desacelerar e checar.
Os golpes digitais que mais cresceram este ano
A seguir estão os golpes que mais aparecem no dia a dia e que têm alto potencial de prejuízo. Em cada tópico, você verá como funciona, sinais de alerta e como se proteger.
Phishing: o golpe que continua no topo (e está mais convincente)
Phishing é a tentativa de roubar dados por meio de links e páginas falsas. Ele pode chegar por e-mail, SMS (“smishing”), WhatsApp, DM de rede social ou até anúncio patrocinado.
Como funciona
- Você recebe uma mensagem com cara de oficial (banco, marketplace, streaming, entrega, imposto).
- Clica num link e cai numa página que parece real.
- Digita login, senha, token, ou dados do cartão.
- O criminoso usa essas informações para invadir contas e fazer transações.
Sinais de alerta
- urgência exagerada (“bloqueio em 30 minutos”)
- links estranhos, encurtados ou com letras trocadas
- pedido de senha, token, código do WhatsApp, biometria, selfie “de verificação”
- erros sutis de texto e domínio
Como se proteger
- nunca clique: abra o app oficial e verifique por lá
- ative 2FA (autenticação em dois fatores)
- use gerenciador de senhas e senha forte
- desconfie de “atualizar cadastro” via link
Golpe do Pix: urgência, confiança e comprovantes falsos
O golpe do Pix cresceu porque é rápido e, muitas vezes, irreversível. A fraude pode acontecer em vendas, aluguel, doações, e até entre amigos e familiares (via conta invadida).
Variações comuns
- “Pix agendado” fingindo pagamento imediato
- comprovante falso em PDF/print
- pedido de Pix por WhatsApp de número clonado
- “taxa para liberar prêmio”, “taxa para liberar entrega”
Sinais de alerta
- pressão para “confirmar rápido”
- insistência para você não checar no aplicativo do banco
- comprovante enviado por mensagem como se fosse confirmação real
Como se proteger
- confirme no app do banco: só o saldo/lançamento conta
- em vendas, só entregue após Pix confirmado
- use chave Pix com nome/CPF conferidos
- crie frase-código com família para pedidos urgentes
WhatsApp clonado e “troquei de número”: o golpe do código
O WhatsApp clonado normalmente acontece quando a vítima entrega o código de verificação (ou quando cai em um golpe de “suporte”).
Como funciona
- alguém se passa por suporte, empresa, amigo, ou “promoção”
- pede o código que chega por SMS
- com o código, o criminoso registra sua conta em outro aparelho
- depois, pede dinheiro aos seus contatos
Sinais de alerta
- qualquer pedido de “código” é suspeito
- mensagens dizendo que “alguém tentou acessar sua conta, envie o código”
- pressa e insistência
Como se proteger
- ative verificação em duas etapas do WhatsApp (PIN)
- nunca compartilhe códigos
- restrinja quem pode ver sua foto/recado
- avise sua rede se for vítima e peça para ignorarem pedidos de Pix
Golpe do falso suporte: “sou do banco” (e você faz o resto)
Esse golpe é perigoso porque parece “ajuda”. Pode ser por ligação, WhatsApp, e-mail ou até pop-up no computador.
Como funciona
- alguém diz que houve fraude e que vai “ajudar a resolver”
- pede para instalar app de acesso remoto, “validar” dados, ou fazer transação “teste”
- orienta você a transferir dinheiro para “conta segura” (que é do criminoso)
Sinais de alerta
- pedir para instalar aplicativo de acesso remoto
- pedir senha, token, confirmação de transação
- mandar link para “ambiente de segurança”
Como se proteger
- desligue e ligue você mesmo no número oficial do banco
- nunca instale apps por orientação de terceiros
- bancos não pedem senha nem transferências para “conta segura”
Boleto falso e “segunda via” adulterada
O boleto falso continua forte, especialmente em “2ª via” enviada por e-mail/WhatsApp, ou em sites falsos que imitam empresas.
Como funciona
- você recebe um boleto “igual” ao real
- paga, mas o destinatário é outro (código de barras alterado)
- a dívida continua e o dinheiro foi embora
Sinais de alerta
- boleto enviado fora dos canais oficiais
- pequenas diferenças no beneficiário (nome/CPF/CNPJ)
- e-mails suspeitos com “segunda via”
Como se proteger
- confira beneficiário antes de pagar
- prefira pagar dentro do app oficial do fornecedor
- desconfie de boletos enviados por terceiros
Golpes em marketplaces e redes sociais: falso anúncio e “pagamento por fora”
Compras e vendas online são terreno fértil para fraude. O golpe costuma explorar confiança e pressa.
Variações comuns
- anúncio com preço muito abaixo do mercado
- pedido para pagar “por fora” para evitar taxa
- falso intermediário no meio da negociação
- link de pagamento falso (página clonada)
Sinais de alerta
- insistência em sair da plataforma
- “reserva” com pagamento antecipado sem garantia
- vendedor sem reputação, histórico, ou com pressa incomum
Como se proteger
- negocie e pague dentro da plataforma
- desconfie de descontos irreais
- use métodos com proteção ao comprador
Roubo de conta no Instagram, TikTok e outras redes: golpe do “link de verificação”
O golpe do Instagram (e similares) geralmente mira criadores, lojas e perfis com seguidores.
Como funciona
- você recebe mensagem dizendo que sua conta será banida
- pedem para “verificar” clicando em link
- o link captura login/senha e o criminoso toma sua conta
- depois pede dinheiro, aplica golpes nos seguidores ou vende a conta
Sinais de alerta
- mensagem de “suporte” fora do canal oficial
- link pedindo senha
- urgência e ameaça
Como se proteger
- ative 2FA em todas as redes
- use senha única para cada serviço
- cadastre e-mail e telefone atualizados
- evite clicar em links recebidos por DM
Golpe da “vaga de emprego” e tarefas pagas: promessa fácil, prejuízo real
Esse golpe cresce quando a economia aperta. A promessa é simples: pagar para curtir, avaliar, comentar ou “fazer tarefas”.
Como funciona
- você entra em grupo (WhatsApp/Telegram)
- faz tarefas pequenas e recebe um valor baixo (para ganhar confiança)
- depois exigem “depósito” para liberar tarefas melhores
- somem com seu dinheiro
Sinais de alerta
- pagamento fácil demais, sem processo seletivo real
- exigência de depósito, “taxa” ou compra para começar
- pressão e “última oportunidade”
Como se proteger
- nunca pague para trabalhar
- pesquise CNPJ e reputação
- desconfie de recrutamento por grupo aleatório
Golpes com inteligência artificial: voz clonada, deepfake e “CEO fraud”
Aqui está uma das tendências mais preocupantes: golpes que usam inteligência artificial para imitar voz, rosto e estilo de escrita.
Como funciona
- o criminoso clona a voz de alguém (às vezes com poucos segundos de áudio)
- liga para um familiar ou funcionário pedindo urgência (dinheiro, pix, senha)
- ou faz vídeo falso (“deepfake”) para dar credibilidade
Sinais de alerta
- pedido urgente e fora do padrão
- recusa em fazer chamada de vídeo “de verdade”
- história emocional forte (“acidente”, “delegacia”)
- inconsistências pequenas na fala e no contexto
Como se proteger
- combine uma palavra-chave familiar
- confirme por outro canal (ligar de volta para número conhecido)
- em empresa, implemente validação em duas etapas para pagamentos
Por que as pessoas caem: o fator humano é o elo mais fraco
Mesmo pessoas inteligentes caem. Porque o golpe é desenhado para quebrar o seu “modo racional” e ativar o impulso. Os criminosos exploram:
- cansaço e distração
- medo e urgência
- confiança em marcas e instituições
- vergonha de “parecer desconfiado”
A defesa mais forte não é técnica: é comportamento.
Como se proteger: guia completo e prático
Agora, a parte mais valiosa: medidas que realmente reduzem risco sem complicar sua vida.
Checklist de cibersegurança para pessoas (celular e contas)
Senhas e autenticação
- use senha forte e única por serviço
- adote gerenciador de senhas
- ative 2FA em e-mail, banco, redes sociais e mensageiros
- nunca compartilhe códigos
Celular e aplicativos
- atualize sistema e apps (atualização corrige falhas)
- instale apps apenas de lojas oficiais
- revise permissões (acesso a SMS, contatos, acessibilidade)
- configure bloqueio de tela com biometria/senha
Bancos e pagamentos
- limite Pix noturno e limites de transferência
- habilite alertas de transação
- não confie em comprovante: confira no app
- desconfie de “conta segura” e “transação teste”
Mensagens e links
- não clique sob pressão
- confirme por canal oficial
- cuidado com QR Code e links patrocinados
- desconfie de “urgente”, “última chance”, “bloqueio imediato”
Checklist de cibersegurança para empresas e profissionais
Se você tem equipe, loja, ou lida com pagamentos, o risco é maior — mas dá para reduzir com processo.
Proteção de e-mail e identidade
- use autenticação forte em e-mail corporativo
- treine contra phishing (simulações ajudam)
- implemente aprovação dupla para mudanças de dados bancários
Pagamentos e financeiro
- regra de “dupla checagem” para transferências
- confirmação por ligação para pedidos fora do padrão
- limites e perfis de acesso (quem pode pagar o quê)
Backups e continuidade
- backups automáticos e testados
- controle de acesso a pastas críticas
- plano de resposta a incidente (quem faz o quê)
Cultura e treinamento
- treinamento curto e recorrente (mensal ou bimestral)
- cartilha de sinais de golpe
- canal interno para reportar suspeitas sem punição
O que fazer se você cair em um golpe digital
Cair em golpe é mais comum do que parece. O pior erro é demorar por vergonha. A reação rápida aumenta chance de reduzir danos.
Se envolveu banco, Pix ou cartão
- avise imediatamente o banco no canal oficial
- bloqueie cartões e acessos
- registre contestação/solicitação de análise
- altere senhas e revogue dispositivos conectados
Se invadiram WhatsApp ou redes sociais
- recupere conta pelo processo oficial
- avise contatos e seguidores
- ative 2FA e troque senhas associadas (principalmente e-mail)
Se você instalou app suspeito ou acesso remoto
- desinstale e revise permissões
- faça varredura com solução de segurança
- em casos graves, restaure o aparelho (backup limpo)
Documente tudo
- prints, números, horários, conversas, comprovantes
- isso ajuda banco, plataforma e autoridades a rastrear padrão e reduzir risco
Como escrever (e treinar) a “mentalidade antifraude”
A melhor blindagem é um conjunto de hábitos simples:
- “Se é urgente, eu confirmo.”
- “Se pede código, é golpe.”
- “Se pede para sair do app, eu paro.”
- “Se o preço é absurdo, eu desconfio.”
- “Se mexe com medo, eu respiro e checo.”
Isso parece básico, mas é exatamente o que falta quando a pessoa cai: ela age no impulso.
Tendências para os próximos meses: o que deve crescer
Mesmo sem prever o futuro, dá para observar padrões:
- mais golpes com IA e clonagem de voz
- mais fraudes em compras por link e QR Code
- mais “golpe do suporte” com tom profissional
- mais ataques visando pequenas empresas (porque têm menos proteção)
Ou seja: comportamento e verificação continuam sendo rei.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual o golpe mais comum hoje?
Em geral, phishing e variações (links falsos) lideram, seguidos por golpe do Pix, WhatsApp clonado e fraudes de “suporte”.
Como saber se um comprovante de Pix é verdadeiro?
Não confie em print ou PDF. Confirme no app do banco, no extrato ou histórico de transações.
O banco pode pedir senha ou código?
Não. Se pedirem senha, token, código, ou orientação para instalar app, trate como tentativa de golpe.
2FA resolve tudo?
Não resolve tudo, mas reduz muito risco de roubo de conta. A combinação “senha única + 2FA + cuidado com links” já muda o jogo.
Conclusão: cibersegurança é hábito, não é paranoia
A era dos golpes digitais em massa transformou a cibersegurança em habilidade básica — como atravessar a rua olhando para os dois lados. Não é sobre viver com medo: é sobre criar um ritual de checagem para não agir no impulso. Se você adotar três práticas hoje — 2FA, senhas únicas e confirmação por canal oficial — já fica muito mais difícil virar vítima.